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Caneta espiã apreendida em alojamento do padre Robson é analisada pela Polícia

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Equipamentos eletrônicos apreendidos durante a operação Vendilhões estão passando por processo técnico para extrair as informações que serão analisadas. Entidade criada pelo padre Robson é alvo de ação por suspeita de desvios.

Uma caneta espiã apreendida pela operação Vendilhões no alojamento onde mora o padre Robson, investigado por supostos desvios de dinheiro doado por fiéis do Divino Pai Eterno às associações fundadas por ele, passa por um procedimento técnico na Polícia Técnico-Científica chamado de espelhamento, como informou o Ministério Público de Goiás (MP-GO) na quinta-feira (10).

O padre Robson sempre negou as acusações do MP e pediu afastamento de suas funções nas Afipes e na reitoria da Basílica do Divino Pai Eterno, em Trindade, para colaborar com a investigação.

O equipamento pode conter informações relevantes para a investigação do MP sobre movimentações financeiras realizadas pelas Associações do Divino Pai Eterno (Afipes) nos últimos anos, das quais R$ 120 milhões são suspeitas de fugirem das finalidades religiosas da evangelização, como compra de casa de praia, um avião, fazendas, emissoras de rádio e loteamentos. As transações dos últimos 10 anos podem chegar a R$ 2 bilhões, segundo o MP.

Nas buscas e apreensões realizadas pela operação no final de agosto, foram recolhidos documentos, computadores, pen drives, telefones celulares e tablets.

O promotor de Justiça Sandro Henrique Silva Halfeld Barros, que atua na investigação, explicou que lei conhecida por “pacote anticrime”, introduziu no processo penal alguns processos de sistematização de garantia de provas, chamada de cadeia de custódia, o que leva todo o conteúdo de equipamentos eletrônicos a ser espelhado antes do uso, para garantir a integridade da prova. Após este trabalho ser concluído, é que as informações extraídas podem ser analisadas.

A investigação, porém, segue ouvindo testemunhas. Até o momento, o promotor já colheu depoimentos de pelo menos 10 pessoas.

Crimes investigados pelo MP:

  • Apropriação indébita
  • Lavagem de dinheiro
  • Falsificação de documentos
  • Sonegação fiscal
  • Associação criminosa
5 pontos para entender as investigações sobre o Padre Robson

Investigação

De acordo com a denúncia do Ministério Público, o padre Robson criou “várias associações com nome de fantasia Afipe ou similar, com a mesma finalidade, endereço e nome”. Portanto, todas as “Afipes” recebem doações de pessoas de todo o Brasil, conforme o documento. As entidades são responsáveis pela Basílica do Divino Pai Eterno em Trindade, uma das mais famosas do país.

Em relação a valores, a investigação apontou que nos últimos dez anos foram movimentados nas contas das Afipes cerca de R$ 2 bilhões, sendo a maioria fruto de doações para a construção da nova Basílica da cidade.

“Constatou-se que os gastos de boa parte das doações não tinha vínculo com questões religiosas, mas com outros negócios, como a compra de imóveis, propriedades rurais, cabeças de gado e emissoras de rádio”, diz o MP.

De acordo com a denúncia do MP, os pagamentos destinados das Afipes aos grupos de empresas e pessoas só nos últimos três anos, giram em torno de R$ 120 milhões.

MP deflagra operação da Afipe, em Trinadade e mira padre Robson em Goiás — Foto: Montagem/G1

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